Editora: Novo Conceito
Páginas: 272
ISBN: 9788581632766
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Madora vivia em Yuma, Arizona, uma cidade de edifícios térreos, restaurantes de fast-food em cada esquina, poeira, calor e vento, muitos militares e um time de beisebol muito bom, só isso. Rachel, sua mãe, dizia que Yuma havia matado seu marido e que a cidade também a estava matando. Depois da morte de seu pai, Madora que contava com apenas doze anos, sabia que não era uma garota de sorte. Seu pai fora ao deserto e metera uma bala na cabeça, depois disso sua mãe negligenciara a filha, perdendo-se enquanto entrava na história de outras pessoas assistindo televisão, isso, para Rachel, era a sua salvação. Madora descuidou dos estudos, bebia e atirava-se no rio de drogas que corria pelo centro de Yuma juntamente com sua melhor amiga, Kay-Kay. Mas, mesmo sem um pensamento analítico ou introspectivo, Madora sabia que era diferente da sua amiga e de todos aqueles vagabundos em torno dela. O que ela mais queria era não ser diferente, arrancar de si mesma a parte que era como o pai, a parte sonhadora, esperançosa, aquele tipo de pessoa que faz pedidos às primeiras estrelas.
Em uma festa, com dezessete anos, Madora conheceu Willis Brock.
"Ela viu dois dele, às vezes três, flutuando como uma miragem; mas sua voz era clara e forte. Abaixo desta, a batida estalando e os riffs de teclado enfraquecendo até parecerem vir lá de longe no deserto, onde devia haver uma festa acontecendo, mas nada disso a preocupava mais.
- Não tenha medo, garotinha. Willis não vai deixar que nada de ruim lhe aconteça." (p. 14)
Cinco anos haviam se passado desde a noite em que Willis "resgatara" Madora, agora com 22 anos. Os dois viviam em uma casa no deserto da Califórnia, quase completamente isolados. Madora nutria esperanças de que Willis finalmente se sentisse pronto para casar e ter uma família, mas ele estava juntando dinheiro para terminar a faculdade de Medicina e seu trabalho como provedor de cuidados domiciliares e alguns turnos no lar de idosos não eram o suficiente, ele não estava pronto.
Madora sabia que Willis era estranho às vezes e que existiam partes dele firmemente trancadas, partes que não eram reveladas para ela, mas isso não a impedia de ama-lo. Madora aceitava todas as coisas que vinham de Willis porque seus caprichos e excentricidades eram o preço a pagar por ser amada e ter a certeza de que ao final do dia ele sempre voltaria para ela, afinal precisava dela tanto quanto ela precisava dele, o que ele deixara bem claro desde o começo.
"Pela experiência de Madora, mesmo as pessoas mais atraentes tinham imperfeições, uma saliência no alto do nariz ou uma pálpebra um pouco caída; mas o rosto de Willis não tinha nenhuma dessas assimetrias. Os dois lados correspondiam-se perfeitamente, e esse equilíbrio concedia-lhe não apenas beleza, mas também uma serenidade fascinante por não haver nada que precisasse ser ajustado. Na primeira vez que o viu, ele estava de pé na frente dela, na varanda da antiga casa no deserto. Tão bonito e calmo. Ela pensou que ele devia ser um anjo." (p. 23 e 24)
Os dias eram todos iguais e na memória de Madora os meses e estações se embaçavam: um verão era tão quente quanto o outro; um inverno tão seco quanto o próximo. A vida no campo parecia combinar com ela, mas a brutalidade da natureza a assustava. Ela vivia basicamente fazendo tarefas domésticas e seu único alívio era o viveiro de animais feridos e plantas murchas que cuidava. Foo, um pit bull que Madora encontrara quando filhote era a presença amigável que tornava seus dias menos monótonos, conversava com o cachorro sobre todas as coisas que lhe importavam enquanto Willis estava fora, praticamente o dia inteiro.
Sua rotina muda quando Willis leva Linda para a casa dos dois e a instala no trailer, a garota de 16 anos estava grávida e Madora passou a ser sua babá e empregada. Apesar da surpresa e confusão por ver aquela adolescente maltratada na sua casa sem qualquer aviso prévio, Madora sabe que Willis está exercendo apenas a sua bondade, salvando uma garota grávida e faminta que perambulava pelas ruas pedindo por ajuda.
Willis encontrara Linda em Arroyo, cidade a poucos quilômetros de distância onde Madora se encontrava. Em Arroyo um jovem também tinha sua vida mudada. Django Jones acordava em um quarto quatro vezes menor que o quarto em sua casa, onde vivia com seu pai e sua mãe, agora mortos devido a um acidente de carro. Jacky Jones era um guitarrista famoso e rico, sua esposa, Caro, era uma mãe adorável. Django, com doze anos, vivia com sua tia Robin agora, sua tutora por vontade de seus pais, apesar de Django nunca ter visitado a tia e sua mãe ter uma relação estranha com a irmã. A tia era gentil, mas parecia o tipo de pessoa fria e Django sentia que não apenas seus pais haviam partido, mas o Django que vivia em Beverly Hills também.
Enquanto Robin tenta conhecer sua irmã através de Django, o garoto passa seus dias em negação até encontrar Madora e tentar descobrir qual é o seu segredo.
Adeus à Inocência, de Drusilla Campbell possui uma narrativa rápida, que até confunde um pouco no início, mas que com o decorrer da leitura acaba dando à história um tom ainda mais cru, o que combina com os personagens, lugares e acontecimentos. Um romance cheio de suspense, violência doméstica e manipulação psicológica. Drusilla mostra como é possível manipular alguém através dos seus pontos fracos, seus medos e anseios. Madora é vítima dessa manipulação e cria um laço com Willis aparentemente impossível de ser desfeito. Ele é o seu herói, o melhor homem do mundo, incapaz de fazer o mal, mesmo que suas atitudes sejam suspeitas. Madora é grata e se culpa por pensar mal de Willis.
"Tudo o que Madora sabia do mundo era o que ela vira de detrás de Willis, na ponta dos pés, olhando por cima do ombro dele. O que ele disse fazia todo o sentido." (p. 28)
Linda, mesmo revoltada por sua situação, age docilmente com Willis e descarrega seu ódio em Madora. Com punições e recompensas, Willis controla Linda, numa relação doentia que acaba envolvendo Madora.
Tanto Django e Madora tiveram suas vidas apagadas e Robin, tia de Django, está no meio dessa teia em que encontramos os personagens envolvidos, tendo seu passado "roubado".
Manipulação, vulnerabilidade, decisões erradas e segredos. Drusilla consegue desenvolver uma trama densa e instigante, um livro que não dá para parar de ler!
"- Ó meu Deus, você está de brincadeira comigo. Você é muito estúpida. Sou uma prisioneira, Madora, sou a maldita de uma prisioneira. - Exibiu os pulsos algemados como para provar. - E você quer que eu agradeça? Corta essa. Diga onde está o meu bebê. Não podem simplesmente roubar uma criança. Há leis contra isso." (p. 85)
Os dias eram todos iguais e na memória de Madora os meses e estações se embaçavam: um verão era tão quente quanto o outro; um inverno tão seco quanto o próximo. A vida no campo parecia combinar com ela, mas a brutalidade da natureza a assustava. Ela vivia basicamente fazendo tarefas domésticas e seu único alívio era o viveiro de animais feridos e plantas murchas que cuidava. Foo, um pit bull que Madora encontrara quando filhote era a presença amigável que tornava seus dias menos monótonos, conversava com o cachorro sobre todas as coisas que lhe importavam enquanto Willis estava fora, praticamente o dia inteiro.
Sua rotina muda quando Willis leva Linda para a casa dos dois e a instala no trailer, a garota de 16 anos estava grávida e Madora passou a ser sua babá e empregada. Apesar da surpresa e confusão por ver aquela adolescente maltratada na sua casa sem qualquer aviso prévio, Madora sabe que Willis está exercendo apenas a sua bondade, salvando uma garota grávida e faminta que perambulava pelas ruas pedindo por ajuda.
Willis encontrara Linda em Arroyo, cidade a poucos quilômetros de distância onde Madora se encontrava. Em Arroyo um jovem também tinha sua vida mudada. Django Jones acordava em um quarto quatro vezes menor que o quarto em sua casa, onde vivia com seu pai e sua mãe, agora mortos devido a um acidente de carro. Jacky Jones era um guitarrista famoso e rico, sua esposa, Caro, era uma mãe adorável. Django, com doze anos, vivia com sua tia Robin agora, sua tutora por vontade de seus pais, apesar de Django nunca ter visitado a tia e sua mãe ter uma relação estranha com a irmã. A tia era gentil, mas parecia o tipo de pessoa fria e Django sentia que não apenas seus pais haviam partido, mas o Django que vivia em Beverly Hills também.
Enquanto Robin tenta conhecer sua irmã através de Django, o garoto passa seus dias em negação até encontrar Madora e tentar descobrir qual é o seu segredo.
Adeus à Inocência, de Drusilla Campbell possui uma narrativa rápida, que até confunde um pouco no início, mas que com o decorrer da leitura acaba dando à história um tom ainda mais cru, o que combina com os personagens, lugares e acontecimentos. Um romance cheio de suspense, violência doméstica e manipulação psicológica. Drusilla mostra como é possível manipular alguém através dos seus pontos fracos, seus medos e anseios. Madora é vítima dessa manipulação e cria um laço com Willis aparentemente impossível de ser desfeito. Ele é o seu herói, o melhor homem do mundo, incapaz de fazer o mal, mesmo que suas atitudes sejam suspeitas. Madora é grata e se culpa por pensar mal de Willis.
"Tudo o que Madora sabia do mundo era o que ela vira de detrás de Willis, na ponta dos pés, olhando por cima do ombro dele. O que ele disse fazia todo o sentido." (p. 28)
Linda, mesmo revoltada por sua situação, age docilmente com Willis e descarrega seu ódio em Madora. Com punições e recompensas, Willis controla Linda, numa relação doentia que acaba envolvendo Madora.
Tanto Django e Madora tiveram suas vidas apagadas e Robin, tia de Django, está no meio dessa teia em que encontramos os personagens envolvidos, tendo seu passado "roubado".
Manipulação, vulnerabilidade, decisões erradas e segredos. Drusilla consegue desenvolver uma trama densa e instigante, um livro que não dá para parar de ler!
"- Ó meu Deus, você está de brincadeira comigo. Você é muito estúpida. Sou uma prisioneira, Madora, sou a maldita de uma prisioneira. - Exibiu os pulsos algemados como para provar. - E você quer que eu agradeça? Corta essa. Diga onde está o meu bebê. Não podem simplesmente roubar uma criança. Há leis contra isso." (p. 85)




























Santista, formada em Design Gráfico, 28 anos, canceriana. Apaixonada por livros, vampiros, animações e Sailor Moon. Viciada em café e vitamina C efervescente.



