Título: A Morte é uma Serial Killer
Autor: Valentina Silva Ferreira
Editora: Estronho
Páginas: 176
ISBN: 9788564590298
Perturbador. Assombroso. Insano.
A Morte é uma Serial Killer é um livro excepcional, com uma narrativa incrível, sedutora, que abala e perturba, que dá vontade de largá-lo por um momento para conseguir respirar e ao mesmo tempo agarrá-lo para poder devorar toda a trama.
O ano é 2057 e uma lei é promulgada pelos estados membros das Nações Unidas, que obriga todos os assassinos em série do mundo cumprirem pena na Unidade de Segurança e Reinserção de Assassinos em Série, localizada em Lisboa, Portugal.
Cinco pacientes são selecionados para integrar um estudo inovador, fora das áreas do hospital. O programa foi criado pela diretora da Unidade, Erika, pelo psiquiatra, doutor Carl e pela psicóloga, doutora Lidls. Os pacientes escolhidos são: Luke Veish (norueguês), Roberto Souza (brasileiro), Mary J. (escocesa), Susana Ferreira (portuguesa) e Ing Poltra (alemão).
Foram levados algemados para uma casa. Confortavelmente sentados, desalgemados e confusos, aguardavam uma explicação dos médicos. Aquilo não era uma situação natural para cinco assassinos em série, sentados de forma livre dentro de uma casa luxuosa.
"- Esta casa constitui um marco importante na história da psiquiatria e psicologia. Aqui, queremos curar a vossa maldade mediante processos que vos levarão à culpa, ao remorso e, finalmente, à mudança do vosso caráter". (p. 31)
A diretora continua dizendo que eles estarão sob a sua vigilância, além de a de Carl e Lidls, mas estarão livres para viver uma vida normal sem celas, algemas ou guardas. A casa é deles. No entanto, todas as manhãs deverão se reunir na sala de sessões para o tratamento.
Enquanto somos apresentados aos personagens na casa e seu tratamento, também recebemos diversas informações sobre o passado de cada um deles. A autora é extremamente meticulosa e delineou personagens muito bem elaborados. O livro é fino, mas com poucas palavras Valentina consegue descrever um cenário complexo inteiro a nossa frente, sem caricaturar seus personagens ou empreender uma narrativa com passagens desnecessárias apenas para criar uma atmosfera mais sombria, perturbadora ou sangrenta.
O texto também foi mantido em português de Portugal (algumas palavras e expressões talvez desconhecidas no Brasil são explicadas (como "montras", não fazia idéia que significava "vitrines")). O que, na minha opinião, deixou a leitura mais rica.
Tudo bem, agora temos cinco assassinos em série em uma casa que, de repente, parece tragar suas memórias mais dolorosas, miseráveis e sórdidas e fazê-las tomar forma. Estariam ficando loucos? Aquilo fazia parte do tratamento? E... será que existe salvação?
O livro vem acompanhado por um ótimo prefácio de Carlos Barata, licenciado em Psicologia clínica e organizacional, que esclarece bem, embora de forma breve, o transtorno de personalidade antissocial e o comportamento psicopático.
Janeiro - Tema Livre
















Santista, formada em Design Gráfico, 28 anos, canceriana. Apaixonada por livros, vampiros, animações e Sailor Moon. Viciada em café e vitamina C efervescente.



